quinta-feira, junho 18, 2015

Será?
Uma pergunta que
frusta esperanças.
Quando estou quase
certo ela rasga
meu pensamento.

Maldito futuro
do verbo ser!
Quando é que
tu será presente
sem interrogação?

Enquanto isso
eu sigo aqui
sem definição.

domingo, agosto 10, 2014

Eu trago uma espada
cravada no coração
e nela eu encontro
o meu perdão

Quando faço do meu passo
o caminho para a imprecisão.
Há gritos, há gemidos,
há uivos de desconhecidos.
Irmão.

O sangue que escorre
do peso da minha armadura dura
dura no coração
E a minha espada trilha
o caminho da imprecisão.

quinta-feira, julho 31, 2014

Epitáfio de um exilado

Voltou ao estado do qual
nunca deveria
ter saído.

quinta-feira, agosto 18, 2011

É com sol que se faz o dia,
não com essa letargia
que me deixa mole
e o tempo engole a vida que há em mim
e não há saída nem verdade
além desse fim de tarde
que se apresenta como um Deus.

domingo, fevereiro 22, 2009

Deixa tua vida sedenta
de poesia que um dia a vida
se rebela contra ti.

Daí então, não haverá
lirismo que te salve
da destruição.

sexta-feira, julho 04, 2008

É tão simples e tão pura
que nasce sem força
como nasce o dia,
como o orvalho se
aconchega na flor.
Se apodera de uma folha em branco,
de um coração em pranto,
de uma vida vazia.
Converte-se no mais temido pecado,
no mais aliviável vômito
que ajuda a viver.
Auxilia sem pedir nada em troca,
a angústia de não ter respostas.
E na sua espera de palavra,
anseia por surpreender
o mais desatento visitante.
Sopra no meu rosto
a tua brisa
para que eu sinta
num sentido o teu gosto

Para que lembre da tua força
de me amar desmedida
de sentar no meu colo
e dizer, Sou tua vida

E de me esquecer num instante
e de me morrer em menos
tantos laços rompidos
e tão lascivos antes

E desromper para romper
e novamente ser perfeito
para chegar é que se parte
e se sente saudade sem fim

Mas se sopra no meu rosto
a brisa do teu corpo
eu lembro e sinto
num sentido o teu gosto.

quinta-feira, junho 19, 2008

Quando do meu corpo eu levantar,
quero ser estrela, lua e mar.
Quero ser estrela, lua e mar.

E não chegarei de mansinho,
antes deconcertando os caminhos,
trilhando rotas que levem ao infinito,
levando o que habita pacificamente as areias da praia
com uma força violenta para águas em tormenta,
e surpreender o amor dos animais marinhos
e amar o meu céu no horizonte
quando o sol aparecer...

Quando do meu corpo eu levantar...

segunda-feira, maio 19, 2008

Neblina das minhas verdades,
me conta se é por maldade
que me fazes triste assim.

Canção da mocidade,
me conta se cantar a felicidade
é um crime sem perdão.

Porque meu coração
quer as asas de um querubim
para morar no mais alto esconderijo
que encontraste para mim.

Segredo da minha carne,
me conta se morrer
é tão ruim assim

me conta se é pecado
o silêncio dos momentos
encontrar meu corpo são.

Porque meu coração
quer as asas de um querubim
para morar no mais alto esconderijo
que encontraste para mim.

Vozes da minha alma,
contem-me se a loucura
é saudade de outro mundo

contem-me se vossa clausura
é pura sensatez
ou mera covardia

Porque meu coração
quer as asas de um querubim
para morar no mais alto esconderijo
que encontraste para mim.
Todo dia nasce o sol
E levanta do outro lado a lua
Todo dia alguém pisa num caracol
E não é culpa minha nem tua

Todo dia tudo acontece
Igualzinho como foi no anterior
Todo dia nasce um novo amor
Que no outro dia a gente esquece

Todo o dia bem ou mal
O relógio bate na hora marcada
Todo o dia é a mesma estrada
Sem placa, sem praça, sem sinal.

Todo dia é um dia diferente:
Eu é que sou indiferente.

sábado, abril 26, 2008

Conversa comigo, meu amigo
conta-me das contradições
do teu pensamento elevado.
Não seja arrogante em dizer
que não as tem.
Não seja modesto em dizer
que não o tem.
Eu sei muito bem quem és.
Onde estás.
Como se fosse minha própria aflição.

Meu irmão, quantas angústias
já tivemos juntas.
Quantas lágrimas já não nos rolaram juntas.
Quantas palavras jogadas ao ar
já não nos saíram juntas.
E as risadas.
Os palavrões.
Os sermões.
As injúrias.
As blasfêmias.
As fêmeas.
Juntas.

Não há de ser na hora da morte
que me vais esconder teu pensamento.
Não há de ser na hora da morte
que eu terei que enfrentar o escuro
sozinho:
Me conta agora das tuas contradições
para que eu posso enfrentar as minhas.

quarta-feira, abril 09, 2008

Que culpa tenho eu
de sentir e
saber que o porvir
não revela muito do que
poderia ter sido
e as possibilidades
se perdem no desconhecido.
É agora que eu mudo.
É agora que eu sinto.
Não será num ontem
Nem num amanhã,
e tudo parece tão errado
tão fora do enredo
tão sem contexto
como se descobrisse
que o curso natural
dos acontecimentos
nunca fora tão natural assim.
Mas que culpa tenho eu
de querer e
pasmar ao ver
cada linha do teu rosto
cada nuança dos teus olhos
cada timidez no teu sorriso
que culpa tenho eu?
que culpa?

terça-feira, março 18, 2008

Quantas vezes a ti mesmo negaste
na angústia de caminhar em vão?
Quantas vezes a esmo caminhaste
com teu companheiro a te negar um pão?

Tuas botas sem meia, teus panos em traste,
tua boca sedenta de uma oração.
A ave-maria aparece covarde
no pulso ferido do teu irmão.

Revoltas revolto nos teus espelhos
os olhos latentes mirados pro chão.
Tua força não leva mais o signo vermelho,
nem martelo nem foice o teu brasão.

O sonho perdido não tem cor.
A juventude derrotada não tem símbolo.
Não tem estandarte o fim do amor.
Não tem nome o que jaz no limbo.

domingo, março 02, 2008

Venha, senta no meu colo
Deita a cabeça em meu ombro
Faça de mim o teu solo
Quando tudo for escombro

Segura em minha mão forte
Pois tu não estás sozinho
Faça de mim teu caminho
Quando não mais houver norte

Chora sobre o meu lençol
Na tristeza e na alegria
E faça de mim teu dia
Quando não mais houver sol.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Nasceu uma bela flor
num jardim habitado
pelas sombras e pelo frio.

Morreu o amor
no momento exato
que lhe foi dado o brio.

Nasceu robusta, forte
com seu pungente espinho
eriçado para frente.

Nasceu trazendo a morte
de quem sempre
viveu descrente.

Hoje ela vive altiva
na escuridão ostenta
o seu descampado.

E enquanto estiver viva
seu espinho castigará
o coração dos enamorados.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

XIX

Quando pensei que já era tarde,
Tu apareceu trazendo um novo dia,
Enchendo de calor minha noite fria,
Tornando orgulhoso o que era covarde.

Com olhos puros, sem fazer alarde,
Lânguido coração que em mim sofria
Ensimesmado em sua melancolia,
Transformou no coração que em mim arde.

E eu que sempre amei luas e estrelas
Porque acreditava na solidão
Dos astros, agora abro as janelas

E percebo que o espaço está em chamas,
Transbordando sedento de paixão.
Por saber, meu amor, que tu me amas.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Caminho em direção
ao nada do que sou
do que tu é.
Repasso quando chega
a noite, o nada
do que é o dia.
Preencho essa ausência
com a melancolia
que nos é bem comum.
Mas não paro nunca,
com a cabeça erguida
sigo em frente.
Mesmo sem saber
por que estar
por que lutar
por que vencer
por que ser
mesmo sem saber.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Banha com o perfume
do teu sangue
o gume
da minha faca
e me abraça forte
antes que a morte
o faça.

sábado, janeiro 05, 2008

Quando pensei na morte
pela primeira vez,
me recolhi a um canto
da minha velha casa
com os bonecos que eu
mais gostava de brincar
e me entristeci por um momento:
a partir de então,
meus vilões e meus heróis
morriam nas batalhas e
os derrotados eram jogados
para dentro do boeiro
da esquina e ali
eram esquecidos.

Mas agora
não tenho mais brinquedos,
hoje quem perde as batalhas sou eu,
eu é que não tenho mundo:
onde vou me jogar?
A janela aberta
não ilumina com seu dia
a parede de tijolos a vista
da velha casa da esquina

Ninguém aparece a tempos
e ninguém aparecerá
a casa estará para sempre
da maneira que está

Aquele grito que continha
o sorriso que testemunhou
os amores que segredou
deixaram-na sozinha

Agora somente um fantasma a habita
sem rosto, sem cor, sem nome,
sem sede, sem frio, sem fome:
escuramente povoada pela
esperança de vida.