Quando ele chegava mansinho - bonito, cheiroso e de muito boa retidão vertebral, querendo chamar sua atenção a torto e a direito, ela dizia indiferente, Não te quero. Então ele, desgostoso que havia ficado por tanta injustiça e rejeição, deixou sua aparência a cargo do tempo. Dali com um passar de meses, foi ter com a moça novamente. Dessa vez apresentando-se o exato oposto a seus primeiros contatos. Ela olhando-o de longe, vindo em sua direção, assustou-se com tão inesperada cena. Quando ele se chegou suficientemente perto, ela sem esperar qualquer palavra que porventura pudesse ser pronunciada por aquela boca fétida, abriu sua bolsa e com um olhar de compaixão ofereceu-lhe um sanduiche com margarina, queijo e mortadela feito por sua mãe. Ele sorriu.
sexta-feira, novembro 23, 2007
terça-feira, novembro 20, 2007
LVI
Me sinto bem feliz ensimesmado.
A minha volta, tudo só se faz,
E nesse pensamento e nessa paz,
Teço o dia, a vida, o passado:
Tenho o que foi, tenho o que vem, um fado -
E tudo daquele sonho que jaz
Junto a tudo que ficou pra trás
E que, triste, não foi realizado.
Tenho no fundo uma saudade imensa
Que não se mostra na expressão da face.
Dentro de mim um novo ser que nasce
A cada pôr-do-sol - cada manhã:
E tenho (agora) mais uma hora vã
A pensar o que todo mundo pensa.
A minha volta, tudo só se faz,
E nesse pensamento e nessa paz,
Teço o dia, a vida, o passado:
Tenho o que foi, tenho o que vem, um fado -
E tudo daquele sonho que jaz
Junto a tudo que ficou pra trás
E que, triste, não foi realizado.
Tenho no fundo uma saudade imensa
Que não se mostra na expressão da face.
Dentro de mim um novo ser que nasce
A cada pôr-do-sol - cada manhã:
E tenho (agora) mais uma hora vã
A pensar o que todo mundo pensa.
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