Banha com o perfume do teu sangue o gume da minha faca e me abraça forte antes que a morte o faça.
sábado, janeiro 05, 2008
Quando pensei na morte pela primeira vez, me recolhi a um canto da minha velha casa com os bonecos que eu mais gostava de brincar e me entristeci por um momento: a partir de então, meus vilões e meus heróis morriam nas batalhas e os derrotados eram jogados para dentro do boeiro
da esquina e ali
eram esquecidos.
Mas agora não tenho mais brinquedos, hoje quem perde as batalhas sou eu, eu é que não tenho mundo: onde vou me jogar?
A janela aberta não ilumina com seu dia a parede de tijolos a vista da velha casa da esquina
Ninguém aparece a tempos e ninguém aparecerá a casa estará para sempre da maneira que está
Aquele grito que continha o sorriso que testemunhou os amores que segredou deixaram-na sozinha
Agora somente um fantasma a habita sem rosto, sem cor, sem nome, sem sede, sem frio, sem fome: escuramente povoada pela esperança de vida.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Quero conquistar-te todos os dias amar-te agora e renovar o amor a casa instante e receber a inevitável dor como a fiel precursora da alegria
E então quero encantado em teu sabor sem cansaço e sem suor e sem elegia pintar-te dentro de mim em poesia fazendo do teu sorriso toda a cor e nuança da arte
Para quando me sentir sem chão sem pátria sem mundo para quando meu coração esvaziar-se de repente sem razão eu possa te ver te sentir e te querer em toda parte e ostentar teu amor como estandarte
quarta-feira, janeiro 02, 2008
E em cada pedra que chutava, ao acaso, pelo simples fato de estar distraído com os pensamentos, sentia como se chutasse as estrelas que do céu tivessem caído. Chutava e reorganizava as constelações uma a uma: Olha! gritava ele bem alto para todo mundo ouvir, Essa aqui se parece com o rosto dela! E então se alegrava e pulava e beijava a lua nos paralelepípedos de pedra.