terça-feira, janeiro 22, 2008

Banha com o perfume
do teu sangue
o gume
da minha faca
e me abraça forte
antes que a morte
o faça.

sábado, janeiro 05, 2008

Quando pensei na morte
pela primeira vez,
me recolhi a um canto
da minha velha casa
com os bonecos que eu
mais gostava de brincar
e me entristeci por um momento:
a partir de então,
meus vilões e meus heróis
morriam nas batalhas e
os derrotados eram jogados
para dentro do boeiro
da esquina e ali
eram esquecidos.

Mas agora
não tenho mais brinquedos,
hoje quem perde as batalhas sou eu,
eu é que não tenho mundo:
onde vou me jogar?
A janela aberta
não ilumina com seu dia
a parede de tijolos a vista
da velha casa da esquina

Ninguém aparece a tempos
e ninguém aparecerá
a casa estará para sempre
da maneira que está

Aquele grito que continha
o sorriso que testemunhou
os amores que segredou
deixaram-na sozinha

Agora somente um fantasma a habita
sem rosto, sem cor, sem nome,
sem sede, sem frio, sem fome:
escuramente povoada pela
esperança de vida.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Quero conquistar-te
todos os dias
amar-te agora e
renovar o amor a casa instante
e receber a inevitável dor
como a fiel precursora
da alegria

E então quero
encantado em teu sabor
sem cansaço e sem suor
e sem elegia
pintar-te dentro
de mim em poesia
fazendo do teu sorriso
toda a cor e
nuança da arte

Para quando me sentir
sem chão sem pátria
sem mundo
para quando meu coração
esvaziar-se de repente
sem razão
eu possa te ver te sentir
e te querer em toda parte
e ostentar teu amor
como estandarte

quarta-feira, janeiro 02, 2008

E em cada pedra que chutava, ao acaso, pelo simples fato de estar distraído com os pensamentos, sentia como se chutasse as estrelas que do céu tivessem caído. Chutava e reorganizava as
constelações uma a uma: Olha! gritava ele bem alto para todo mundo ouvir, Essa aqui se parece com o rosto dela! E então se alegrava e pulava e beijava a lua nos paralelepípedos de pedra.